quarta-feira, 27 de março de 2024

Curiosidades

A relação entre o Rei Salomão e a Maçonaria

 

O REI SALOMAO SERÁ ETERNAMENTE  REVERENCIADO PELA MAÇONARIA

A relação entre o Rei Salomão e a Maçonaria tem sido tema de especulação e fascínio ao longo dos séculos. A Maçonaria, uma sociedade discreta e misteriosa, muitas vezes se apropria de figuras históricas e lendárias para transmitir seus ensinamentos e tradições. Entre essas figuras, destaca-se o Rei Salomão, o sábio monarca bíblico conhecido por suas proezas intelectuais e pela construção do lendário Templo de Salomão.

A Maçonaria, como instituição, traça suas origens a guildas de construtores medievais, que, ao longo do tempo, incorporaram símbolos, rituais e lições de diversas fontes, incluindo a Bíblia. O Rei Salomão, portanto, tornou-se uma figura central em muitos rituais maçônicos, simbolizando a sabedoria, a habilidade na construção e a busca pela verdade.

O Templo de Salomão, mencionado na Bíblia, é frequentemente associado aos princípios maçônicos de construção moral e espiritual. Os maçons veem na história de Salomão uma alegoria para a jornada individual em busca da iluminação e aprimoramento pessoal. Os rituais maçônicos frequentemente fazem referência à construção do Templo como uma metáfora para a construção do caráter do indivíduo.

Além disso, o rei bíblico é reconhecido por sua capacidade de resolver disputas com sabedoria, um aspecto que ressoa com o ideal maçônico de buscar a harmonia e a concórdia. Os ensinamentos atribuídos a Salomão na tradição maçônica enfatizam a importância da justiça, da tolerância e do entendimento mútuo, valores que formam a base da fraternidade maçônica.

No entanto, é crucial notar que a relação entre o Rei Salomão e a Maçonaria é, em grande parte, simbólica e ritualística. Não há evidências históricas concretas que comprovem uma ligação direta entre Salomão e a formação da Maçonaria como a conhecemos hoje. Em vez disso, a associação serve como uma ferramenta pedagógica, transmitindo valores e princípios importantes para os membros da ordem.

Portanto, a conexão entre o Rei Salomão e a Maçonaria permanece como um fascinante enigma histórico e simbólico. A riqueza da tradição maçônica, enraizada em símbolos e alegorias, continua a inspirar reflexões sobre a natureza da sabedoria, da construção moral e da busca pela verdade, mantendo viva essa intrigante intersecção entre o antigo rei e a fraternidade maçônica.

 

A MAÇONARIA CONTINUARÁ ETERNAMENTE REVERENCIANDO O REI SALOMÃO POR TODA SUA SABEDORIA QUE DEUS LHE DEU.


 


O TEMPLO DO REI SALOMÃO E A TRADIÇÃO MAÇÔNICA


 
A origem da lenda


    
   As mais antigas referências ao Templo de Salomão, que aparecem em documentos maçônicos, são aquelas referidas no Manuscrito Cooke, datado de 1410. Essa Old Charge, embora datada do começo do século XV, é uma compilação de tradições orais mais antigas, cultivadas pelos maçons operativos ingleses, o que nos leva a crer que a tradição de utilizar a construção do templo hebraico como alegoria iniciática já era bem mais antiga.

 

Segundo Lionel Vibert, essa tradição é oriunda da constituição que o rei saxão Athelstan, no século X, outorgara aos pedreiros livres da Inglaterra[1]


   Diz esse antigo documento que a arte da Maçonaria foi aprendida pelos israelitas quando eles habitaram o Egito. Depois, quando se estabeleceram na Palestina ela foi desenvolvida de uma forma peculiar, transformando-se numa arte iniciática, porém mais consentânea com a crença israelita, que só admitia o culto a uma única divindade. Com o tempo ela adaptou-se á mística da religião de Israel e a arquitetura daquele povo adquiriu uma conformação própria, que misturava influências egípcias, no caráter de grandiosidade e suntuosidade e incorporava os traços de simplicidade da arquitetura fenícia, que primava mais pela utilidade do que pela beleza e pelo fausto.

 

 Essas características podem ser observadas ainda hoje nas ruínas de Meggido e Jericó, escavadas pelos arqueólogos, que mostram como era a arquitetura nos tempos de Salomão.


Segundo aquela Old Charge, foi o rei Davi quem iniciou a construção do templo de Jerusalém e não Salomão. Este teria dado continuidade á obra e o terminou.

 

Diz ainda esse documento que Hiram, o mestre-arquiteto dessa obra era pai de Hiram, o rei de Tiro. Essa informação, provavelmente, vem do texto encontrado em Paralipômenos, 2;13 onde se informa que o rei Hiram de Tiro enviava a Salomão “um homem sábio e inteligente, que é Hiram, meu pai, filho de uma mulher das filhas de Dan, cujo pai foi Tírio e que sabe trabalhar em ouro e em prata, em bronze e em ferro, e também em púrpura e jacinto, e em linho fino e em linho fino e escarlate, e que sabe lavrar todo gênero de escultura(...), já que a crônica original sobre a construção do templo de Jerusalém, ao se referir a Hiram diz apenas que ele era “filho de uma mulher viúva de Naftali, e cujo pai era de Tiro, que trabalhava em bronze e era cheio de sabedoria e inteligência para fazer todo gênero de obra de bronze.”( Reis 7;14).

 


   Alex Horne observa que o costume de identificar as origens da Maçonaria com os canteiros de obras da construção do Templo de Salomão não era privativo dos ingleses. As guildas dos pedreiros franceses e alemães também fizeram largo uso dessa tradição.[2] Anderson, entretanto, vai mais longe, pois situa o nascimento da maçonaria no próprio paraíso terrestre, na forma das instruções que Adão dá a seu filho Set. E Set teria construído uma cidade, a qual consagrou ao Senhor, razão pela qual esse filho de Adão teria sido o primeiro maçom.[3]


   Evidentemente, as informações prestadas pelo Dr. Anderson, bem como as contidas no Manuscrito Cooke não foram inspiradas nos textos bíblicos nem encontram qualquer confirmação em registros históricos, sendo mais um produto da imaginação dos seus autores do que de qualquer tradição antiga que tenha se referido a essa possibilidade.

 

Nem nos trabalhos de Flávio Josefo encontramos qualquer alusão ao fato de ter sido o rei Davi e não Salomão o inaugurador das tradições maçônicas, ou que estas tenham sido iniciadas pelos descendentes diretos do primeiro homem, Adão.

 

 É possível que esse equívoco tenha se originado no fato da Bíblia atribuir a Davi a intenção de construir um templo para Jeová, embora jamais o tenha levado á cabo. Ao que parecem, os maçons operativos não se importavam muito com a exatidão histórica, pois a primazia de Davi sobre as obras de construção do templo aparecem também em outras Velhas Regras, o que nos leva a crer que tal informação era tida como verídica por eles[4]


Entretanto, todas as tradições maçônicas referentes ao Templo de Salomão como principal símbolo da Arte Real, já constavam das Velhas Regras (Old Charges).

 

Em sua maioria, esses antigos manuscritos procuram justificar a origem salomônica da Arte Real. Em face de essa verdadeira paranóia dos maçons operativos, esses documentos devem ser lidos com a devida reserva, pois, a par de muitas informações confirmadas pelas crônicas bíblicas e outros registros antigos, eles também veiculam muitas informações contraditórias, e na maioria dos casos, fantasiosas e de difícil comprovação.

 

Alguns deles, como o Manuscrito Dunfries nº 3, de cerca de 1650, diz que o Templo de Salomão foi construído a partir das instruções que Deus dera á Moisés para a construção do Tabernáculo. Essa sim é uma possibilidade a considerar, pois o Tabernáculo era uma tenda construída com as especificações de um templo, que foi erguida pelos israelitas no deserto para servir de santuário para o culto de Jeová. Nessa tenda, que era um templo móvel, já se podem verificar todas as especificações geográficas, geométricas e rituais que mais tarde seriam usadas na construção do Templo de Jerusalém.

 


Já o manuscrito Dunfries nº 4 dá, inclusive, o local exato da construção, que seria a rocha do Domo, no monte Moriá, onde hoje se ergue a Mesquita de Omar, (a da cúpula dourada), o que, de modo geral, não tem sido contestado pelos historiadores.

 

Outros manuscritos como o de York, citam Nenrod o mítico rei da Babilônia, que teria construído a Torre de Babel, como sendo o pai da maçonaria, sendo ele, aliás, o primeiro a construir uma grande cidade e uma formidável obra de arquitetura usando as chamadas “ciências sagradas”. Essa obra seria a referida Torre de Babel.

  
O significado da lenda


Abstraindo o caráter lendário e mítico tão a gosto dos imaginativos autores maçons, o Templo de Salomão é uma alegoria que se presta ao desenvolvimento de várias idéias de conteúdo espiritualista que carregam, no seu bojo, formulações mais interessantes do que as lendas que se evocam a respeito.

 

Uma delas, defendida por René Guenón é a de que, como simulacro do cosmo, construí-lo significa construir o próprio universo, missão que cabe ao maçom. [5]


Por outro lado, edificar uma obra dessa magnitude, com todo o significado que ela encerra, assemelha-se á construção do próprio individuo, pois o homem, como bem ensinou Jesus , é o templo vivo de Deus.

 

 Assim, da mesma forma que os maçons operativos construíam igrejas em louvor a Deus, os maçons especulativos constroem os templos sagrados do caráter humano, também em homenagem ao Grande Arquiteto do Universo, sob cujos auspícios se reúnem em Lojas para “cavar masmorras ao vicio e erguer templos á virtude”.


  O simbolismo dessa parábola é bastante claro para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir.

Nos graus superiores do Rito Escocês, a alegoria do Templo do Rei Salomão será explorada com mais profundidade para demonstrar que a verdadeira sabedoria é a prática das virtudes cristãs.[6]


Essa sabedoria, segundo a tradição maçônica, foi ensinada anteriormente ao próprio Rei Salomão para que ele, através da arte da arquitetura e do comportamento digno de um rei, as transmitisse á humanidade de uma forma insofismável.
   Veremos que Salomão falhou nesse intento e, em decorrência, o Reino de Israel, organizado por Deus para ser o protótipo do estado perfeito sobre a terra, desmoronou, sendo dividido em dois reinos antagônicos após a sua morte. 


   Essa é uma lição que tem que estar presente na mente de todo maçom: não basta ter sabedoria para construir obras de grande engenho; é preciso que essa obra tenha um espírito, pois é nele que repousa a justificativa da construção e a grandeza do seu construtor.             


 




                                                               
 
A razão da lenda


   
    Pelo relato bíblico percebe-se a razão da escolha do Templo de Salomão para servir de alegoria para o desenvolvimento do Iluminismo Maçônico. Aquela obra é uma construção que une o sagrado ao profano, que reabilita o homem frente a Deus; ao mesmo tempo, ressalta o valor do trabalho, da organização, da hierarquia.

 

É na organização dos trabalhadores, na estruturação das profissões, nas próprias tarefas dos obreiros envolvidos na construção, pedreiros, talhadores, fundidores, carpinteiros, espelha-se também o conteúdo iniciático da Arte Real.[7]


   Com efeito, nenhuma outra alegoria conviria melhor a uma sociedade iniciática, cujo objetivo era o desenvolvimento de uma filosofia moral e ética destinada á construção do Homem Universal, alicerce de uma sociedade livre, justa, perfeita e feliz, reflexo da realidade divina na terra.

 

Era uma comunidade assim que se pretendia ter existido outrora. Para os maçons espiritualistas, era a reedição da civilização que os antigos egípcios teriam herdado dos atlantes e reverenciava através do culto a Maat, a deusa que representava a harmonia universal e para os adeptos da nova filosofia que encantava os intelectuais europeus da época, o iluminismo, essa era a forma de realizar essa utopia.


   Talvez seja essa a razão de encontrarmos junto aos maçons operativos tanto anelo pela tradição da antiga Israel. Não seria esse também, o sonho de Moisés ao organizar o povo de Israel? 

 

 Na verdade, o que era o Pentateuco senão um extenso código de leis, filosofia e preceitos elaborados para a organização de uma comunidade de “eleitos”, ou seja, um povo escolhido por Deus para refletir, na terra, a imagem do reino dos céus?


   Afinal de contas, todas as esperanças da humanidade sempre convergiram para esse sonho: um regresso ao velho estado de ordem, justiça, perfeição e harmonia, que um dia existiu no universo, e que permanece na memória celular da humanidade como um arquétipo a ser recuperado.

 Esse estado se perdeu na história das civilizações em conseqüência do orgulho do homem, pois ele, ao adquirir o conhecimento do bem e do mal, pensou poder mais que os deuses. A memória desse estado, entretanto, refugiou-se no inconsciente humano, reprimida pelos apelos á racionalidade e ás necessidades da vida profana.

 

 Para recuperá-lo, era preciso reconstruir a sociedade, como já se fizera várias vezes com o Templo de Salomão, que havia sido destruído e reconstruído várias vezes. O Templo de Jerusalém é, pois, um símbolo desse eterno processo de ascensão e queda do homem, que se repete no tempo e na História.

 

   Para que esse Templo tivesse estabilidade, entretanto, era preciso construir um homem novo, regenerado, purgado de seus vícios, morto para a vida profana, na melhor tradição iniciática, mas regenerado para uma nova vida pessoal e social, baseada numa nova ética e numa nova moral, fundamentadas num humanismo espiritualista que atendesse tanto a razão prática, quanto á sensibilidade mística do homem religioso. 

 

Esse novo homem seria um Hiram, pedreiro moral, construtor do novo Templo de Salomão, arquétipo da sociedade ideal desejada pelo Sublime Arquiteto do Universo. Para isso, porém, como a própria tradição iniciática sustentava, e a doutrina cristã confirmava, era preciso que o mestre morresse, para que seus seguidores nele renascessem como iniciados.

 

Dessa simbologia, que incorpora todas as antigas tradições, desde o mito de Osíris, até o sacrifício de Jesus Cristo, nasceu o Drama de Hiram, que é a alegoria mais significativa de toda a doutrina maçônica.

 

Por isso, não é Salomão o pai da Maçonaria simbólica e iniciática, mas sim Hiram, o arquiteto do Templo, que além de ser o seu fundador, tornou-se também o “sacrificado da obra”, através do estranho ritual da sua morte, executada pelos três companheiros traidores.

Essa liturgia foi necessária para cumprir a antiga tradição de que toda obra, fosse ela social, política ou arquitetônica, precisava ter um “sacrifício da completação”, para que os deuses dela se agradassem e a conservassem. Fecha-se assim, o simbolismo presente na alegoria do Templo de Salomão e da morte do seu arquiteto. [8]



 

 

 

 


[1] Jean Palou-Maçonaria Simbólica e Iniciática, Ed. Pensamento, 1986

[2] Alex Horne, op citado pg. 68

[3] James Anderson- As Constituições, 1723

[4] O Manuscrito Downland, datado, provavelmente de 1500, também se refere a Davi como iniciador do Templo e a Salomão como continuador e fundador da Maçonaria como instituição.

[5] René Guénon- Aperçurs sur L!Iniciation- Paris, 1929

[6] O próprio Jesus se utilizou desse simbolismo para falar de si mesmo e da sua promessa de ressurreição. “destruí esse templo”, disse ele, “ e eu o reconstruirei em três dias”. Jesus não falava da destruição do seu corpo, pela morte que o esperava, e a sua ressurreição após os três dias que passaria no túmulo, como geralmente se interpreta. Na verdade, ele estava se referindo á destruição das tradições antigas e o estabelecimento de novas crenças, pois a antiga crença estava simbolizada no templo de Jerusalém, onde os escribas e fariseus subvertiam as leis de Moisés em benefício próprio.

[7] O termo Iluminismo maçônico é aqui utilizado por considerarmos que a maçonaria institucional, nascida da fusão das Lojas londrinas foi um episódio inspirado pela filosofia do iluminismo.

[8] Em Reis, I, 8;62 lemos que Salomão imolou vinte e dois mil bois e cento mil ovelhas, como oferta ao Senhor pelo término da obra. Descontando o evidente exagero dos números(Nem todo Israel teria um rebanho tão grande assim), o registro bíblico corrobora a tradição do “sacrifício da compltação”.

 



João Anatalino

Enviado por João Anatalino em 29/11/2012



 

O TEMPLO DE SALOMÃO E A TRADIÇÃO MAÇÕNICA

O Templo de Salomão ocupa uma posição de destaque na simbologia maçônica, tratando-se de uma das maiores fontes de símbolos, alegorias, lendas e ensinamentos maçônicos. É mencionado nas mais antigas tradições dos operários da Idade Média e integra os mais poéticos temas dos maçons especulativos da atualidade. De todo este simbolismo, é possível extrair as mais diversas mensagens tanto na vertente anglo-saxónica (o mundo cultural de língua Inglesa) como na vertente latina (o mundo cultural francês), nos diversos ritos e graus.

A formação dos novos Maçons (Aprendizes) apóia fortemente na utilização destes símbolos, alegorias, lendas e mitos.

A tradição maçónica

 

Relativamente ao Templo de Salomão veja-se que o próprio James Anderson afirmou no livro da Constituição (1723) que “os israelitas ao deixarem o Egipto, formaram um Reino de Maçons”; que “sob a chefia de seu Grão-Mestre Moisés (…) reuniam-se freqüentemente em loja regular, enquanto estavam no deserto”, etc.. Vale a pena (e a curiosidade) ler essas páginas da história lendária de nossa sublime Ordem contada por Anderson (folhas 8 a 15) que podem ser encontradas em Reprodução das Constituições dos Franco-Maçons ou Constituições de Anderson de 1723, em inglês e português (trad. e introd. de João Nery Guimarães, Ed. Fraternidade S. Paulo, 1982). 

 

De fato, Anderson apenas repetia velhas lições transmitidas por antigos documentos de maçons operários, reunidos para seu exame e síntese. As Obrigações eram lidas na cerimônia de ingresso de um aprendiz na loja medieval (algo análogo à iniciação de nossos dias), para que o novo membro aprendesse a história da arte de construir e da associação que o recebia. Inteirava-se das regras de bom comportamento e das exigências morais que deveria respeitar – de algum modo, esses antigos documentos tinham uma finalidade análoga à das nossas atuais cartas constitutivas, emprestando regularidade à loja.

 

 O leitor interessado encontrará detalhes e documentação em O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica, Alex Horne (trad. Otávio M. Cajado, pref. De Harry Carr; Ed. Pensamento, S. Paulo, 9a. ed., 1997, cap. V., p. 59 e segs..

 

Os antigos catecismos maçônicos (séries estereotipadas de perguntas e respostas) do Século XVIII também se referiam com freqüência à construção do Templo de Salomão que, inequivocamente, integra tradições anteriores à Grande Loja de Londres (1717).

Se os manuscritos, manuseados por Anderson e seus companheiros para escrever o Livro da Constituição de 1723, não são exatamente conhecidos, centenas de velhos outros pergaminhos sobreviveram, foram encontrados, guardados e interpretados, constituindo uma fonte das mais autênticas para a história da nossa sublime Ordem. Nesses antigos deveres (em muitos deles) já se falava na construção do Templo de Salomão pelos maçons.

Convém contudo, no que concerne à historia, tratar tais documentos com certa reserva. Na origem, foram escritos por religiosos medievais, devotados a Deus sem dúvida nenhuma, mas desprovidos de crítica histórica. Presume-se que monges cristãos transmitiram essas lições a operários iletrados (nossos avós) e que tais documentos foram sendo copiados, recuperados, etc., mantendo a visão de uma época que muito desconhecia da História.

A tradição bíblica

 

O Templo de Salomão integra as narrativas do livro mais respeitável da sociedade ocidental – a Bíblia. Ao sair do Egipto, conduzido por Moisés, o povo hebreu não possuía uma religião definida, muito menos um templo. Somente após o episódio no monte Sinai – quando Moisés recebe de Deus as normas fundamentais da Lei bem como as instruções exatas quanto à construção da Tenda Sagrada (o Tabernáculo) – é que os hebreus passam a ter um local específico de culto, abrigando nessa Tenda os objetos sagrados: a Arca da Aliança, a Mesa dos pães azemos (ou sem fermento), o Candelabro de sete braços (Minorá).

 

 Haveria também um altar para queimar as ofertas sacrificais, outro para queimar incensos (perfumes) e uma pia de bronze. Enquanto o povo vagueava pelo deserto,

 

Deus orientava quando, onde e por quanto tempo estacionar. Os que fugiram do Egipto mudavam o seu acampamento de um lugar para outro, somente quando a nuvem que cobria o Tabernáculo (indicando a presença do Eterno) se erguia e indicava o caminho a ser seguido.

 

Durante o dia, a nuvem; à noite, uma coluna de fogo (veja em Êxodo, 40.34-38; ou em Números, 9.15-23). E foram quarenta anos.

 

Antes de Jerusalém ser transformada por David na capital do reino, ainda no tempo de Samuel (um sacerdote, juiz, profeta, mediador, chefe de guerreiros), Deus, falando a Jeremias, equipararia Samuel a Moisés – Jer. 15.1 – a Arca ficou guardada num templo, em Silo, sob os cuidados da família de Eli, também sacerdote.

 

Em Silo, Josué (que sucedera a Moisés) acampara o povo pela última vez (Josué, 18.1 e sgs.). Esse pequeno templo de Silo foi, presumidamente, destruído pelos filisteus (Jer. 7.11-12: “Será que vocês pensam que o meu Templo é um esconderijo de ladrões? Vão a Silo, o primeiro lugar que escolhi para nele ser adorado, e vejam o que fiz ali por causa da maldade de Israel.” Assim falou o Eterno.).

David, já consagrado rei, levaria a Arca da Aliança para Jerusalém (1 Crónicas 15.25-28).

 

Tão alegre e festivo esteve David nesse cortejo (cantando e dançando com o povo), que Mical, sua esposa, filha de Saul, sentiu desprezo por ele (1. Cron., 15.29). Contudo o tabernáculo e o altar dos sacrifícios continuariam em Gabaon, visto que David caíra em desgraça aos olhos de Deus.

 Derramara sangue em abundância, fizera guerras em demasia e, por isso mesmo não poderia edificar em nome de Deus (ver I Cron. 22.6-19). Somente Salomão teria a glória de construir o Templo – o primeiro de Jerusalém, dada a existência de mais dois templos: o construído por Zorobabel, após o exílio na Babilónia, e o construído por Herodes.

 

 

Fontes extra bíblicas

Apesar das minuciosas descrições registradas na Bíblia, ainda não foi possível, contudo, ter certezas quanto a esse primeiro templo de Jerusalém. Não há registros extra bíblicos. As escavações arqueológicas ainda não apresentaram alguma prova válida da existência dessa obra. Explica-se tal ausência de restos arqueológicos à completa destruição que teria sido realizada por Nabucodonosor, ou à insuficiência de escavações no próprio sítio atribuído à localização do Templo.

 

Esse lugar (santificado por diversas linhas religiosas) seria o hoje ocupado pela belíssima e muito sagrada Mesquita de Omar, ou o Domo da Rocha, onde Abraão, obediente a Deus, quase sacrifica seu próprio filho, Isaac (Gen. 22.1-19) – onde, de modo significativo, a tradição islâmica localiza Maomé subindo ao Céu (portanto mais do que justificada a recusa maometana em permitir escavações naquele local santificado).

 

 Contudo, não são encontrados, também, registros arqueológicos (monumentos comemorativos) da vitória de Nabucodonosor, como, por exemplo, podem ser encontrados registros do triunfo romano de Tito, seiscentos anos depois, destruindo o templo construído por Herodes (a terceira construção na série histórica).

 

Alúde-se ao célebre “muro das lamentações” como tendo sido parte da grande alvenaria de arrimo na esplanada do Templo. Contudo as determinações científicas de data, dali oriundas, dão ao muro idade próxima à década anterior ao nascimento de Cristo, tornando-a uma obra mais adequada de ser atribuída ao terceiro templo, destruído pelos romanos.

Contudo Salomão foi efetivamente um grande construtor. A sua época – historicamente considerada, arqueologicamente comprovada – foi de grande prosperidade. Um dos registros arqueológicos mais significativos dessa época, é o da cidade de Megido, um complexo notável, cavalariças com pilares em série, talhados em pedra calcária.

 

Do tempo de Salomão, há ainda restos arqueológicos da fundição – refinaria de cobre em Ezion-Geber, produtora da matéria-prima que serviria de ornamentos e utensílios de bronze (que as narrativas bíblicas apontam ao Templo). Do mesmo modo, mesmo sem descobrimentos arqueológicos em Jerusalém, pelo resultado de outras escavações e estudo de documentos diversos (detalhes e documentação em Alex Horne, op. cit., Cap. IV, p. 37 e sgs.) é possível estabelecer conclusões quanto à arquitetura atribuída ao Templo de Salomão, no que se refere à ornamentação, disposição das dependências, técnica construtiva, comparando a tradição bíblica com restos arqueológicos de outros templos do Oriente próximo. São lições preciosas.

 

Conclusão

 

Enfim, o maçom é mestre na arte de compor oposições e não desprezará o repositório inesgotável de ensinamentos velados por alegorias que nos proporciona a história (ou a lenda) da construção do Templo do Rei Salomão. Não desprezará a tradição dos maçons operários, só porque a Arqueologia ainda não obteve provas irrefutáveis;  não se negará a tradição bíblica somente por insuficiência de escavações arqueológicas.

Jules Boucher, célebre obra “A Simbólica Maçónica” (trad. de Frederico O. Pessoa de Barros, Ed. Pensamento, S. Paulo, 9a. ed., 1993, p. 152): os maçons não tentam reconstruir materialmente o Templo de Salomão; é um símbolo, nada mais – é o ideal jamais terminado, onde cada maçom é uma pedra, preparada sem machado nem martelo no silêncio da meditação.

 

 Para elevar-se, é necessário que o obreiro suba por uma escada em caracol, símbolo inequívoco da reflexão. Tem por materiais construtivos a pedra (estabilidade), a madeira do cedro (vitalidade) e o ouro (espiritualidade). Para o maçom, ensina Boucher, “o Templo de Salomão não é considerado nem em sua realidade histórica, nem em sua acepção religiosa judaica, mas apenas no seu significado esotérico, tão profundo e tão belo“.

O Templo de Salomão é o templo da paz. Que a Paz do Senhor permaneça nos nossos corações!

Adaptado de Autor desconhecido

 

 

 

 

 

 

 

 

O Templo do Rei Salomão – A origem da lenda



 

As mais antigas referências ao Templo de Salomão, que aparecem em documentos maçônicos, são aquelas referidas no Manuscrito Cooke, datado de 1410. Esta Old Charge, embora datada do começo do século XV. É uma compilação de tradições orais mais antigas, cultivadas pelos maçons operativos ingleses, o que nos leva a crer que a tradição de utilizar a construção do templo hebraico como alegoria iniciática já era bem mais antiga.

 

 Segundo Lionel Vibert, esta tradição é oriunda da constituição que o rei saxão Atesta, no século X, outorgara aos pedreiros livres da Inglaterra.

 

Diz o Manuscrito Cooke que a arte da Maçonaria foi aprendida pelos israelitas quando eles habitaram o Egipto. Depois, quando se estabeleceram na Palestina ela foi desenvolvida de acordo com as tradições hebraicas, transformando-se numa arte iniciática, nos mesmos moldes adotado pelos egípcios.

 

 Com o tempo ela adaptou-se à mística da religião de Israel, no sentido de que se procurava refletir na arte de construir o modelo arquetípico do universo, segundo entendiam os sacerdotes hebreus que Deus fazia em relação ao mundo.

 

Segundo aquela Old Charge, foi o rei Davi quem iniciou a construção do templo de Jerusalém. Salomão deu-lhe continuidade e o terminou. Diz ainda este documento que Hiram era filho do rei de Tiro.

 

Home observa que o costume de identificar as origens da Maçonaria com os canteiros de obras da construção do Templo de Salomão não era privativo dos maçons ingleses. As guildas dos pedreiros franceses e alemães também fizeram largo uso dessa tradição. [1]

 

Evidentemente, as informações contidas no Manuscrito Cooke não foram inspiradas nos textos bíblicos. Não se encontram ali quaisquer informações nesse sentido.

 

Nem nos trabalhos de Flávio Josefo se encontra qualquer alusão ao facto de ter sido o rei Davi e não Salomão o inaugurador das tradições maçónicas. E possível que este equívoco se tenha originado no facto da Bíblia atribuir a Davi a intenção de construir um templo para Jeová, embora jamais o tenha levado a cabo.

 

 Ao que parece, os maçons operativos não se importavam muito com a exatidão histórica, pois as primazias de Davi sobre as obras de construção do templo aparecem também em outras Velhas Regras, o que nos leva a crer que tal informação era tida como verídica por eles. [2]

 

 Praticamente, todas as tradições maçônicas referentes ao Templo de Salomão já constavam das Velhas Regras (Old Charges). Na sua maioria, estes antigos manuscritos procuram justificar a origem salomónica da Arte Real. Em face de esta verdadeira paranóia dos maçons operativos em ligar a construção do Templo de Jerusalém às origens da Maçonaria, estes documentos só podem ser lidos com a devida reserva, pois veiculam muitas informações contraditórias, e na maioria dos casos, fantasiosas e de difícil comprovação. Alguns deles, como o Manuscrito Dunfries n° 3, de cerca de 1650, afirma que o Templo de Salomão foi construído a partir das instruções que Deus dera à Moisés para a construção do Tabernáculo e que este foi construído a partir de medidas modulares do cosmo.

 

Assim, a tradição segundo o Tabernáculo seria uma reprodução do próprio cosmo, e por conseqüência, o templo de Jerusalém também é uma tradição que tem origem nessa informação. Dai também a já conhecida tradição maçônica de considerar os seus templos como reprodução do universo.

 

Já o Manuscrito Dunfries n° 4 dá inclusive o local exato da construção do famoso Templo de Jerusalém, que seria a rocha do Domo, no monte Moriá, onde hoje se ergue a Mesquita de Omar (a da cúpula dourada). Esta informação é geralmente aceita pela maioria dos historiadores, já que existem provas arqueológicas que a corroboram.

 

O significado da lenda

O Templo de Salomão, entretanto, é uma alegoria que se presta ao desenvolvimento de várias idéias. Como simulacro do cosmo, construí-lo significa construir o próprio universo, missão que cabe ao Maçom, como pedreiro operativo e especulativo. Por outro lado, edificar uma obra dessa magnitude, com todo o significado que ela encerra, assemelha-se à construção do próprio individuo, pois, o homem, como bem ensinou Jesus, é o templo vivo de Deus. 

 

Assim, da mesma forma que os maçons operativos construíam igrejas em louvor a Deus, os maçons especulativos constroem os templos sagrados do caráter humano, também em homenagem ao Grande Arquiteto do Universo, sob cujos auspícios se reúnem em Lojas para “cavar masmorras ao vicio e erguer templos à virtude”.

 

O simbolismo desta parábola é bastante claro para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Nos graus superiores do Rito Escocês, a alegoria do Templo do Rei Salomão será explorada com mais profundidade para demonstrar que a verdadeira sabedoria é a prática das virtudes que fazem do homem um operário de Deus na terra, construindo o mundo através das suas ações. [3] 

 

Esta sabedoria, segundo a tradição maçônica, foi ensinada anteriormente ao próprio Rei Salomão para que ele, através da arte da arquitetura e do comportamento digno de um rei, as transmitisse à humanidade de uma forma insofismável.

Veremos que Salomão falhou neste intento e, em decorrência, o Reino de Israel, organizado por Deus para ser o protótipo do estado perfeito sobre a terra, desmoronou.

Esta é uma lição que tem que estar presente na mente de todo o Maçom: não basta ter sabedoria para construir obras de grande engenho; é preciso que essa obra tenha um espírito, pois é nele que repousa a justificativa da construção e a grandeza do seu construtor.

 

A razão da lenda

Pelo relato bíblico percebe-se a razão da escolha do Templo de Salomão para servir de alegoria para o desenvolvimento do catecismo maçônico.

 

 Aquela obra é uma construção que une o sagrado ao profano, que reabilita o homem frente a Deus; ao mesmo tempo, ressalta o valor do trabalho, da organização e da hierarquia. E na organização dos trabalhadores, na estruturação das profissões, nas próprias tarefas dos obreiros envolvidos na construção, pedreiros, talhadores, fundidores, carpinteiros, espelha-se também o conteúdo iniciático da Arte Real.

 

Com efeito, nenhuma outra alegoria conviria melhor a uma sociedade iniciática, cujo objetivo era o desenvolvimento de uma filosofia moral e ética destinada à construção do Homem Universal, alicerce de uma sociedade livre, justa, perfeita e feliz, reflexo da realidade divina na terra.

 

Era uma comunidade assim que se pretendia ter existido outrora. Para os maçons espiritualistas, era a reedição da civilização que os antigos egípcios teriam herdado dos atlantes e reverenciavam através do culto a Maat, a deusa que representava a harmonia universal.

 

Não seria este também, o sonho de Moisés ao organizar o povo de Israel? Na verdade, o que era o Pentateuco senão um extenso código de leis, filosofia e preceitos elaborados para a organização de uma comunidade de “eleitos”, ou seja, um povo escolhido por Deus para refletir, na terra, a imagem do reino dos céus?

 Destarte, ao elaborar o Decálogo e redigir os fundamentos do Deuteronômio (que os sacerdotes e escribas de Israel viriam a aperfeiçoar e complementar depois),

Moisés estava fazendo Maçonaria especulativa, pois tudo isso se destinava a construir o caráter do homem perfeito, o qual deveria ser o homem israelita. Era, portanto, uma tentativa de voltar ao reino da perfeição e da ordem, que se acreditava existir antes da queda do homem, no Éden.

Afinal de contas, todas as esperanças da humanidade sempre convergiram para esse sonho: um regresso ao velho estado de ordem, justiça, perfeição e harmonia, que um dia existiu no universo, e que permanece na memória celular da humanidade como um arquétipo a ser recuperado.

Este estado perdeu-se na história das civilizações em conseqüência do orgulho do homem, pois ele, ao adquirir o conhecimento do bem e do mal, pensou poder mais que os deuses.

A memória desse estado, entretanto, refugiou-se no inconsciente humano, reprimida pelos apelos à racionalidade e às necessidades da vida profana. Para recuperá-lo, era preciso reconstruirá sociedade, como já se fizera várias vezes, e continuou a ser feito com a alegoria Templo de Salomão, o qual foi destruído e reconstruído várias vezes.

Para isso, entretanto, era preciso construir um homem novo, regenerado, purgado dos seus vícios, morto para a vida profana, na melhor tradição iniciática, mas regenerado para uma nova vida pessoal e social, baseada numa nova ética e numa nova moral, fundamentadas num humanismo espiritualista que atendesse tanto a razão prática, quanto à sensibilidade mística do homem religioso.

 

Quando o antigo edifício é derrubado, sobre os seus alicerces se constrói o novo. Este é o fundamento da alegoria que se presta para o desenvolvimento da metáfora maçônica.

A Maçonaria tem como projeto a construção do novo homem. Este novo homem seria um Hiram, pedreiro moral, construtor do novo Templo de Salomão, arquétipo da sociedade ideal desejada pelo Sublime Arquiteto do Universo. Para isso, porém, como a própria tradição iniciática sustentava, e a doutrina cristã confirmava, era preciso que o mestre morresse, para que os seus seguidores nele renascessem como iniciados.

 

 Desta simbologia, que incorpora todas as antigas tradições, desde o mito de Osíris, até o sacrifício de Jesus Cristo, nasceu o Drama de Hiram, que é o Landmark mais significativo de toda a doutrina maçónica.

João Anatalino Rodrigues

 

Notas

[1] Alex Horne, op citado pg. 68

[2] O Manuscrito Downland, datado, provavelmente de 1500, também se refere a Davi como iniciador do Templo e a Salomão como continuador e fundador da Maçonaria como instituição.

[3] O próprio Jesus se utilizou deste simbolismo para falar de si mesmo e da sua promessa de ressurreição, “destruí esse templo”, disse ele, “e eu o reconstruirei em três dias”. Jesus falava da destruição do seu corpo, pela morte que o esperava, e a sua ressurreição após os três dias que passaria no túmulo. Para os cristãos, no entanto, a prática das virtudes cristãs exige um processo de morte psíquica e reconstrução do carácter, que se assemelha ao processo escatológico vivido por Cristo. Daí a Maçonaria derivou o seu próprio processo de regeneração moral, adoptando uma simbologia bastante semelhante nos seus rituais de iniciação. A correlação é evidente demais para que as influências possam ser negadas.

 

 



A RELAÇÃO DE JESUS CRISTO COMO O TEMPLO

Como já foi explicado anteriormente, o Tabernáculo e o Templo de Salomão (o primeiro Templo), bem como o homem, é composto por três partes principais: o pátio, o Santo Lugar e o Santo dos Santos. Desta forma, não há como não falarmos sobre o Senhor Jesus sem falar do Templo. A relação entre ambos é tamanha que é impossível dissociar, visto que o Templo fora todo planejado a fim de representar a salvação por meio de Jesus Cristo. Para entender melhor, vamos aos fatos.

Sempre que o Tabernáculo era montado, a cada vez que o povo de Israel parava no deserto, ele era organizado de dentro para fora, ou seja, a primeira parte a ser armada era o Santo dos Santos, e assim por diante os elementos eram dispostos até chegar ao átrio. Isso significa dizer que Deus inicia Seu tratamento espiritual em nós a partir de dentro, daquilo que temos de mais interior: o espírito. É interessante frisar também que as divisões do Templo correspondem às partes referentes ao ser humano, a saber: o corpo, a alma e o espírito.

Observando o gráfico acima, percebemos que o pátio (A) era composto pela porta, o altar e a pia. Essa relação significa que todo o Templo fora construído já se pensando na presença do Senhor Jesus. Ou seja, a porta, local por onde temos acesso aos lugares, inclusive no Templo, representa Jesus. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens João 10:9.

Isso significa que assim como temos acesso ao Templo, entrando por uma porta, para termos acesso a Deus, temos de entrar pela Porta chamada Jesus.  Pelo mesmo gráfico, é possível observar que da porta até o Santo Lugar (B), forma-se uma cruz (trajeto em vermelho, da porta até o Altar de incenso) e, acima dela, onde está o Santo dos Santos (C), encontra-se a Arca da Aliança (em amarelo), que simboliza a presença de Deus.

A porta do Templo simboliza Jesus Cristo e sacrifício (veja no gráfico). Por meio do Seu sacrifício de morte por cruz, passamos a ter acesso não apenas no Santo Lugar, visto que o véu se rasgou, mas à salvação. Porém, cada pessoa que decide entrar por esta Porta deve, tal qual Jesus, realizar seu sacrifício diário para obter a salvação. Ou seja, assim que entramos pela Porta, deixamos o mundo para trás e abandonamos nossas próprias convicções, vontades e desejos carnais.

Dado este passo, vem o segundo, que é o Altar (observe no gráfico, que é o primeiro lugar depois da porta). Assim que entramos pela Porta, vamos de encontro ao Altar, onde temos a oportunidade de morrer para a vida, a fim de vivermos uma nova com Deus. No altar havia o sacrifício de animais, que desprendiam um cheiro, que para Deus era como o de incenso. Assim também acontece conosco quando sacrificamos nossa vida no Altar. O cheiro que exala de nossa vida, a saber, o bom perfume que passamos a ter após o encontro com Deus, O agrada sobremaneira. Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; uma oferta queimada ao Senhor (Êxodo 29:18)

Quando saímos dali, encontramos a pia. Nela, após termos um verdadeiro Encontro com Deus, o primeiro desejo que nos vêm é o do batismo nas águas. Por meio dele, consolidamos a nossa morte, para ressurgirmos lavados dos nossos pecados e limpos de toda a impureza. De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida Romanos 6:4

Perceba a importância da organização interior do Templo de Salomão. Todo ele foi pensado e construído com o propósito da salvação através do Senhor Jesus. No pátio, por exemplo, (onde fica o altar e a pia), não havia cobertura. Significa dizer que o cristão que passa pela porta (Jesus), sacrifica suas vontades (no Altar) e em seguida se batiza (na Pia), ainda permanece no pátio, ficando exposto a todos os tipos de variações de clima e temperatura. Ou seja, por estar desprotegido, pode, facilmente, receber trovoadas, chuvas e vendavais de problemas. Algo que todo cristão tende a passar naturalmente, assim que aceita Jesus como seu único Senhor e Salvador.

Então, após o cristão passar por todas essas tribulações, ele entra no Santo Lugar, que representa a nossa alma. Neste momento, o nascido de Deus busca obter uma aproximação maior com o Criador. Assim, ele participa e come dos pães, que é a Palavra de Deus e a representação do próprio Senhor Jesus, e se sacia do Espírito Santo, que está tipificado na Menorá ou Candelabro (Leia Zacarias 4:6). Desta forma, o cristão pode se considerar apto a participar do Altar do Incenso, que nada mais é do que a oração.

Isso não quer dizer que a pessoa que não possui o Espírito Santo esteja impedida de orar, mas significa que é neste momento de aproximação e intimidade com Deus, representado no Santo Lugar, que as orações do cristão são realizadas com verdade, sinceridade e pelo Espírito Santo, haja vista ele não estar mais orando em favor de seus desejos ou vontades carnais, mas segundo a vontade de Deus.

Note que existe uma diferença muito grande entre as orações realizadas no pátio e no Santo Lugar. Enquanto que no primeiro oramos sem entendimento e de acordo com nossas vontades, no segundo, oramos com temor, reverência e desejando satisfazer os desejos do coração do Pai.

Sendo assim, finalmente, após o cristão passar por todo este caminho espiritual, chega o momento de ele adentrar no Santíssimo Lugar ou no Santo dos Santos (C). Neste local, há somente a Arca da Aliança, representando a presença de Deus. O que aprendemos com isso, então, é que com o sacrifício de Jesus, podemos ter acesso a Ele, mas, se nós também não sacrificarmos a nossa vida em prol da Sua, não conseguiremos chegar até o Santíssimo Lugar e, tampouco, alcançaremos a salvação eterna.

Portanto, se almejamos salvar a nossa alma, devemos observar o exemplo do Senhor Jesus para todos nós, que foi e é o de sacrificar. Como podemos ver no gráfico, o sacrifício está na porta, nos dizendo que somente por este meio existe a possibilidade de chegarmos até Deus.

Fonte: Mapa Universal - Pr. Edir Macedo

https://gob-rj.org.br/portal/wp-content/uploads/2018/03/PUB.GRAO-MESTRADO-3.png

HISTÓRIA RESUMIDA DA MAÇONARIA

 

A humanidade precisa ter patenteada a sua História, sobre seus vários aspectos e épocas. Na Arte Real não é diferente, assim, se faz necessária a realização de pesquisas contínuas, a fim de se recuperar e registrar toda sua memória.

A História da Maçonaria, tão cara para os Maçons, não chegou a ser escrita, em suas fases anteriores ao período operativo, que resplandeceu na Idade Média, como os “artistas operários”, também conhecidos como Trabalhadores de Pedra. Por isso, é praticamente impossível aos pesquisadores chegarem a uma uniformidade de opiniões para definição de sua origem. Seu período pré-histórico, perdido na noite dos tempos, constitui um problema insolúvel, dando margem a lendas e suposições.

Acreditam alguns que, os princípios Maçônicos vêm do Código Manú, outros, das regras filosóficas dos gnosofistas, dos Cataristas, dos Alquimistas, dos Ocultistas, dos Cabalistas, dos Hermetistas. Contudo, muitos buscam a origem da Maçonaria nos Mistérios dos Brâmanes, dos Cabires, de Salomão, do Cristianismo, da Cavalaria etc.

A verdade é que, remontam a milênios as Ordens Iniciáticas e, nesse contexto, está a nossa maçonaria.

Contudo, sobre um assunto de tamanha importância, preferimos seguir o que nos ensina o insigne Maçom Álvaro Palmeira, o qual divide a História da Maçonaria em três períodos: 1º) Maçonaria Primitiva (Antigos Mistérios); 2º) Maçonaria Operativa ou dos Construtores; e 3º) Maçonaria Especulativa ou Atual.

No 1º período teríamos as seguintes fases:

 

Mistérios Egípcios ou Isis e Osiris (30 séculos a.C.);

Mistérios Gregos dos Caribes da Ilha Samotrácia (20 Séculos a.C.);

Mistérios Gregos de Ceres ou Demeter, em Eleusis (14 séculos a.C.);

Mistérios Romanos (desde o 8º século a.C. até o 5º século d.C.), que deram origem à Maçonaria Operativa, através do CollegiaArtificum e dos CollegiFabrorum, criados por Numa Pompilio;

Mistérios Gregos de Orfeu (7º século a.C.);

Mistérios Gregos e Pitágoras, em Crotona (6º século a.C);

Mistérios Judaicos de Salomão (5º século a. C.);

Mistérios Persas ou Magos e Indus ou Brâmanes (do 5º século ao 2º século a. C.);

Mistérios dos Essênios, junto ao Mar Morto; Jesus Cristo (2º séculos a. C.).

 

 

Faz-se necessário lembrar quem foi Numa Pompílio (753 a.C. – 673 a.C.), assim, se considerarmos Romulo, fundador e 1º Rei de Roma, Numa Pompílio teria sido o 2º Rei de Roma, a governá-la de 715-673 a.C. Além da consolidação da fundação de Roma, credita-se a Numa Pompílio a reforma no calendário, baseado nos ciclos lunares, que passou de 10 para 12 meses (365 dias), com os acréscimos dos meses de Janeiro e Fevereiro, até então o ano se iniciava em Março.

O 2º período da História da Maçonaria compreende a Maçonaria Operativa ou dos Construtores de Catedrais, que teve seu esplendor na Idade Média, sob a influência espiritual da Igreja Católica.

 São desse período a Constituição de York, o Poema Régius, o Manuscrito de Cooke, os Estatutos e Regulamentos da Confraria dos Trabalhadores de Pedra de Strasburgo, a Carta de Colonia, o Regulamento de 1633 ou Lei de Santo Albano, o Manuscrito Harloi e o Manuscrito Antigo, que constituem os documentos fundamentais da Maçonaria Operativa.

Segundo alguns escritores, os artistas operários, encarregados das construções, antes de começarem o serviço cotidiano e depois que o terminavam, costumavam reunir-se próximo das obras, em um barracão, que era uma construção ligeira e provisória (como as que ainda hoje se fazem junto da própria obra, destinadas a moradia de guardas ou vigias e depósitos de ferramentas e material), onde recebiam instruções, instrumentos de trabalho e projetos para a execução das tarefas. Dizem que é daí a origem do nome Loja e, dessas reuniões nas chamadas LOJAS é que teria surgido a Franco-Maçonaria.

Lembramos que, várias Loja reunidas constituíam uma Grande Loja, sendo que, a primeira sobre a qual se tem um documento formal, é a de York, que data do ano de 926 da E:.V:. Essa é uma das razões pelas quais uma Grande Loja só deve praticar um único Rito.

Em seguida a fundação da Grande Loja de York, levantaram-se as de Strasburgo, Colonia, Viena e Berna. A essas Organizações Maçônicas, deve a humanidade a maioria das obras arquitetônicas da Europa: Catedrais, Igrejas, Abadias, Mosteiros, Zimbórios (tipos de torres ou cúpula), Conventos, Palácios, Basílicas, Torres, Casa Nobres, Mercados, Paços Municipais, Academias etc.

Destacamos que, foi no século XII que se firmaram as primeiras relações entre as Grandes Lojas de vários países, estabelecendo-se Estatutos e Regulamentos Gerais, tendo a Maçonaria a tomar caráter internacional.

Contudo, lembramos que, o século XII, na Idade Moderna, é tido como o da decadência da Maçonaria Operativa, que levou Anderson e Desaguiliers a promoverem, no primeiro quartel do século XVIII, em 1717, a reforma da Instituição, como veremos mais adiante.

Nesse interregno, ou seja, do século XII ao XVII, várias assembleias maçônicas foram realizadas. Em 1226, em York, na Inglaterra, teve lugar a primeira “Convenção Maçônca” e, em 1275, em Strasburgo, a segunda. Em 1359 foi assinada a Constituição dos Maçons de Strasburgo.

Em 1459, para a redação dos seus Estatutos, reuniram-se em Rastibona, as 19 Lojas da Alemanha Central e Meridional. A segunda reunião de Mestre foi em 24 de agosto de 1462, em Targau e, a terceira, na mesma cidade, em 29 de setembro do mesmo ano.

Após vários séculos de atividades como Instituição essencialmente profissional (operativa), começou a Maçonaria, na Inglaterra, a partir de 1600, a admitir os que vinham de vários setores da sociedade, “não operativos”, por meio da “aceitação”. A história maçônica registra Jonh Boswell como o primeiro não profissional “ACEITO”, numa Loja de Ediburg, em 08 de junho de 1600.

A chamada “aceitação” desenvolveu-se muito no período de 1620 a 1678. As Lojas e Fraternidades inglesas passaram a admitir um número cada vez maior de maçons “não operativos”, a ponto de surgirem regulamentos que exigiam um mínimo de profissionais legítimos nos quadros sociais. Isso, entretanto, não impediu que os “aceitos” viessem a constituir maioria entre eles.

Ressaltamos que, as novas condições, então introduzidas, motivaram a criação de diversos RITOS, de acordo com as tendências do ambiente, embora mantidas, em sua essência, as bases características da Instituição.

Assim é que o terceiro período, o da Maçonaria Especulativa ou Atual, o qual consideramos o mais importante, tendo em vista estarmos inseridos nessa situação, surgiu da “aceitação” que teve início no limiar do século XVII culminando na decadência da Maçonaria Operativa e concomitantemente ao surgimento e ascensão da Maçonaria Especulativa.

Até que em 24 de junho de 1717, dia de São João, reuniram-se, sob a orientação de Anderson e Desaguliers, as quatro Lojas que se achavam em atividade em Londres:

Loja da Cervejaria do Ganso e Grelha;

Loja da Cervejaria da Corôa;

Loja da Taberna da Macieira; e

Loja da Taberna Copázio e do Bago de Uva.

Portanto, foi dessa reunião que surgiu a Grande Loja da Inglaterra, que adotou o Rito dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra, compreendendo 07 graus em duas classes:

Maçonaria de São João (Aprendiz, Companheiro e Mestre);

Maçonaria do Real Arco (4 graus)

 

Obs.: Rito de York, conhecido no Brasil apenas pela Maçonaria de São João, correspondente aos três primeiros graus.

Dessa forma, foi fundada a primeira Grande Loja Maçônica do Mundo, do simbolismo iniciático, sendo aqueles dois ilustres Maçons incumbidos pela Ordem a elaborar a nova Constituição Maçônica, documento que foi publicado em 1723, ficando conhecido como “Constituição de Anderson”.

Vale destacar que, durante o século XVIII, a Maçonaria foi introduzida em quase todos os países da Europa, desde os mais poderosos Reinos e Impérios até os pequenos Condados.

Ressaltamos que, da Europa, a Maçonaria passou à Ásia, à África, à Oceania e nas Américas. No Novo Mundo, a primeira Loja estabelecida foi a do Canadá, no ano de 1721. Enquanto que em Portugal, os ingleses estabeleceram a primeira Loja Maçônica, no ano de 1733.

A MAÇONARIA NO BRASIL

A Conjuração Mineira que ocorreu em 1789, foi um movimento político suja filosofia era essencialmente maçônica, uma vez que fora conduzida por Maçons, os quais desejavam ardorosamente a separação do Brasil de Portugal.

Contudo, embora as ideias defendidas pelo movimento fossem calcadas na filosofia da Arte Real, não temos qualquer comprovação da existência de Lojas Maçônicas nesse período.

Embora alguns autores citam a existência de Sociedades Secretas no Brasil, desde 1724, não significa dizer que se tratava de maçonaria. Até mesmo o Areópago de Itambé, datado de 1796, não deve ser considerado como Loja Maçônica, posto que não há registro nesse sentido e entre os participantes, havia não-maçons.

Os registros só falam em loja Maçônica no Brasil a partir de 1800, com o título de “Loja União” e depois “Reunião”, fundada no Rio de Janeiro.

Assim foi que, iniciados no estrangeiro, alguns maçons fundaram a Loja União que, pouco tempo depois passou a ser chamada de REUNIÃO, trabalhando no Rito Adonhiramita.

É oportuno lembrar que, em 1803, entrou no Porto do Rio de Janeiro a Corveta de guerra francesa “Hydre”, com destino à Ilha de Borbom. Ocorreu que, Mr. Laurent e mais alguns Oficiais, que eram maçons, pediram para visitar a referida Loja. Tendo em vista o zelo com que se trabalhava e debaixo de tantos perigos, deram atestado do seu Reconhecimento e aceitaram, contentes, a prancha que se lhes ofereceram para filiarem a Loja Reunião ao Círculo do Oriente da Ilha de França, o que se efetuou. Daí, foi entregue à Loja Reunião, por intermédio do mesmo Mr. Laurent, a “CARTA DE RECONHECIMENTO E FILIAÇÃO”, os Estatutos e Regulamentos que se costumavam a dar em tais casos.

A partir de então, outras Lojas foram sendo fundadas, como por exemplo, na Bahia e Pernambuco, já nesses casos, sob os auspícios do Grande Oriente Luzitano e do Grande Oriente de França, além de algumas independentes, sem obediência estrangeira, porém, todas trabalhavam no Rito Adonhiramita.

Quando da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, as Lojas “Reunião”, “Constância” e “Filantropia e Emancipação”, então existentes, prosseguiram seus trabalhos, não obstante a intolerância do Governo. Além dessas se instalou mais uma Loja com o título distintivo de “São João de Bragança”, composta, em partes, por empregados do Paço e com ciência do Príncipe Regente D. João. Nesse período, ocorreu a fundação da Loja “Comércio e Artes”, instalada em 15 de Novembro de 1815 e que se conservava independente, adiando sua incorporação ao Grande Oriente Lusitano, porque seus dignos membros aspiravam a instalação de um Supremo Poder Maçônico Brasileiro, o que só veio a acontecer em 1822.

A seguir, foram fundadas diversas Lojas em várias Províncias, destacando-se na do Rio de Janeiro, as Lojas “Firme União”, “União Campista” e “Filantropia e Moral”, todas em Campos dos Goytacazes.

Em 1817, eclodindo a revolução de Pernambuco, a Maçonaria passou a ser perseguida pelo Governo, sendo suspenso o funcionamento das Lojas então existentes. Essa opressão, entretanto, só conseguiu fazer com que as reuniões das Lojas tomassem mais força e vigor.

Em Assembleia Magna, realizada em 28 de Maio de 1822, os Obreiros da Loja Comércio e Artes, já então filiada ao Grande Oriente Luzitano e cuja atuação era das mais importantes, fundaram as Lojas “União e Tranquilidade” e “Esperança de Niterói”, ou seja, a Loja Comércio e Artes se subdividiu em mais duas, visando com elas constituir o Grande Oriente do Brasil.

Dessa maneira, para compor as três Lojas resultantes do desdobramento da “Comércio e Artes”, foi feito, entre os Obreiros desta, um sorteio, distinguindo-se os Irmãos com laços e fitas de três cores: azul, encarnada e branca. As Lojas assim formadas, foram instaladas em 03 de Junho de 1822, passando a serem conhecidas como Lojas Metropolitanas, tendo elegido para Grão-Mestre, o Irmão José Bonifácio de Andrade e Silva.

O GRANDE ORIENTE DO BRASIL foi assim fundado e, sua instalação ocorreu em 17 de Junho de 1822 e, três meses depois, foi reconhecido pelas Potências da França, Inglaterra e Estados Unidos.

Ressaltamos que, embora o Grande Oriente do Brasil tenha sido fundado, de fato, em 28 de Maio de 1822 da E:.V:. (28 dias do 3º mês do ano da Verdadeira Luz de 5.822), sua fundação é considerada como sendo em 17 de Junho, ou seja, a data de sua instalação e da posse do primeiro Grão-Mestre.

Vale lembrar que, POTÊNCIA, OBEDIÊNCIA ou PODER Maçônico dizem respeito a uma Federação ou Confederação de Lojas.

Um Grande Oriente é uma Federação de Lojas de diferentes Ritos. Uma Grande Loja é, na sua origem, uma Confederação de Lojas que trabalham no mesmo Rito.

Uma Potência Maçônica é considerada REGULAR quando estabelecida legalmente por outra POTÊNCIA devidamente reconhecida ou por três LOJAS, no mínimo, regularmente constituídas e satisfaça os demais princípios básicos da Franço-Maçonaria, estabelecidos pela Junta de Assuntos Gerais da Grande Loja Unida da Inglaterra em setembro de 1929, conforme veremos em outra ocasião.

Por atender a todos esses princípios, o GRANDE ORIENTE DO BRASIL foi, por Convênio e Aliança Fraternal, firmado em 06 de março de 1935, reconhecido (em ratificação) pela GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA, considerada a Loja Mãe da Maçonaria contemporânea, como “ÚNICA POTÊNCIA MAÇÔNICA NACIONAL regularmente estabelecida no Brasil, e só reconhecerá como Maçons brasileiros aqueles que possuírem um Certificado ou Diploma expedido pelo referido Grande Oriente”.

Assim, acabamos de ver o que se entende por POTÊNCIA REGULAR e reconhecida. Veremos a seguir o que é a regularidade das Lojas e dos Maçons Individualmente.

É de suma importância ressaltarmos que esse texto é, tão somente, um resumo da história da Maçonaria, ou seja, não pretendemos esgotar o assunto.

Lembramos que, os Maçons Regulares podem ser:

ATIVOS: os que pertencem a uma Loja da Federação como efetivos, nela exercendo todos os seus direitos e deveres;

EMÉRITOS: os que obtiveram a inclusão nessa categoria;

HONORÁRIOS: os que, sem pertencer à Loja, como efetivos, dela recebam esse título honorífico;

INATIVOS: os que se retiram da Loja a que pertencem, munidos da documentação competente.

Maçons Irregulares:

Os Maçons que estiverem com seus direitos suspensos;

Os Maçons que não estejam com a documentação de regularidade e os que, possuindo-a, permaneçam inativos por mais de 180 dias;

Os Maçons que pertençam a organização maçônica não reconhecida pelo Grande Oriente do Brasil;

Aqueles que foram excluídos ou expulsos da Ordem.

É importante destacar que, o Grande Oriente do Brasil tem organização semelhante a do Governo da República, ou seja, três poderes independentes e harmônicos entre si, a saber: Executivo, Legislativo e Judiciário, exercidos, respectivamente, pelo Grão-Mestrado Geral; pela Soberana Assembleia Federal Legislativa (SAFL); e o Supremo Tribunal Federal Maçônico.

No âmbito dos Grandes Orientes Estaduais e do Distrito Federal, esses Poderes são exercidos pelo Grão-Mestrado Estadual, Assembleia Estadual Legislativa e pelo Tribunal de Justiça Maçônica.

Nas Lojas, em seus assuntos internos, esses Poderes se representam pelo Veneralato, pelo Plenário e pela Oratória (o Orador é o representante do Ministério Público). Lembramos que, o Conselho de Família é órgão do Poder Judiciário Maçônico da Loja, constituído no seu âmbito, para tomar as decisões que devem refletir fora dele. Da mesma forma a Oficina Eleitoral, em que a Loja se converte nas Eleições, constitui um órgão da Justiça Eleitoral Maçônica.

MAÇONARIA ESPECULATIVA E SUA CRONOLOGIA

Abaixo, estamos apresentando as datas oficiais da introdução da Maçonaria nos diversos continentes e países, desde a sua reforma até o ano de 1830, conforme publicação em “REVUE MAÇ.”, Nº 1, do mencionado ano.

  


CONLUSÃO


Finalmente, para nosso orgulho, podemos concluir que, o Grande Oriente do Brasil é a maior Potência Maçônica da América Latina e também uma das três maiores do mundo.

O Grande Oriente do Brasil é composto de, aproximadamente, 03 mil Lojas Maçônicas e mais de 80 mil Obreiros Regulares, gozando, portanto, de prestígio e reconhecimento mundial, de todas as Potências, Legais, Regulares e importantes do mundo. Sendo para nós, maçons goianos, motivo de grande orgulho pertencer a esta Potência Maçônica de elevado prestígio, que é o Grande Oriente do Brasil.

Assim sendo, lembramos que, é mais do que justo continuarmos trabalhando para honrar, cada vez mais, o seu nome. Dessa forma, faz-se necessário que, busquemos sempre honrar os nossos compromissos maçônicos.

Portanto, conclamamos a todos os Irmãos que, não nos esqueçamos de que, honrar, defender e disseminar os princípios da Maçonaria é um direito e, sobretudo, um dever de todos nós, Maçons. (não temos a data precisa destas anotações)


Nenhum comentário:

Postar um comentário